A iniciativa do Ministério Público Federal no Maranhão de propor ação contra o Estado do Maranhão, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA e a empresa predadora Suzano Papel e Celulose, chega um tanto atrasada, mas antes tarde do que nunca. A cultura extensiva do eucalipto em nove municípios da região do Baixo Parnaíba Maranhense foi autorizada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Com a conivência de instituições públicas municipais, estaduais e federais e de um modo particular da classe politica, pesa sobre o grupo Suzano Papel e Celulose a acusação de ter adquirido terras que teriam origens de fraudes em cartórios e é diretamente responsável pela expulsão de milhares de posseiros seculares, que contaram com a participação das forças das policias civil e militar.
O grupo Suzano Papel e Celulose tambémé acusado de haver incorporado terras devolutas do Estado, ao seu patrimônio para plantar eucalipto no Baixo Parnaíba e o ITERMA chegou a tentar a fazer arrecadação das terras, mas os interesses políticos impediram, uma vez que o grupo sempre foi benevolente com contribuições para campanhas politicas. Foram milhares de homens e mulheres entre os quais idosos e crianças que foram expulsas de terras de posse, tendo a maioria dos idosos acabou morrendo e os jovens sem qualificação profissional foram aumentar os exércitos de miseráveis e excluídos em outros municípios maranhenses e na capital, e acabaram no submundo do vicio e da perdição das drogas, da prostituição e da criminalidade.
Por mais de 10 anos, como jornalista e colaborador da Comissão Pastoral da Terra, tive oportunidade de ver a realidade perversa e excludente. O Ministério Público Estadual chegou a ajuizar mais de 40 ações contra a força e a opressão do grupo Suzano Papel e Celulose e empresários da cultura extensiva da soja, mas nenhuma delasprosperou. O jogo de proteção ao empresarial é muito forte e atropelador, mas mesmo assim a Igreja Católica, o Fórum Carajás e o Território Livre do Baixo Parnaíba, são entidades, que mesmo em grandes desvantagens, mantêm vivo o grito da resistência.
A Omissão dos Poderes Constituídos para a Destruição do Cerrado
O Bioma Cerrado na área do Baixo Parnaíba do Maranhão, diante da destruição para o aumento indiscriminado do eucalipto, perdeu grandes áreas de plantios de frutos naturais, com destaque para o piqui e o bacuri, sem falarmos em variedades de goiabas e tantas outras que são lembradas através do saudosismo dos moradores que resistem em continuar morando nas terras das suas origens, mesmo sofrendo pressões constantes da policia, pistoleiros e jagunços. Como o eucalipto impede o crescimento da capoeira, animais silvestres e pássaros se tornaram escassos no cerrado, por falta de opção de alimentos.
O grupo Suzano Papel Celulose ao expandir indiscriminadamente a cultura extensiva do eucalipto, impediu a produção de alimentos, até mesmo a tradicional cultura de subsistênciae o mais grave é que o grande potencial de recursos hídricos se tornaram escassos em decorrência deles serem absorvidos pelo plantio do eucalipto e devem se agravar muito mais e atingir toda a população dos municípios maranhenses do Baixo Parnaíba.
A iniciativa do procurador federal Alexandre Soares em propor ação contra o Estado do Maranhão, o IBAMA e ao Grupo Suzano Papel Celulose, tendo como referência um programa de pós-graduação com informações concretas, objetivas e bem importantes é digno de ser registrado, de que realmente se pode alimentar esperanças de que direitos, dignidade e respeito sejam restabelecidos e também que Justiça Federal aplique as devidas sanções a todos os responsáveis, com uma atenção especial para as fraudes em cartórios, que proporcionou a expulsão de milhares de posseiros das suas terras ocupadas em alguns casos por mais de três séculos.
