Magistrado diz que estamos vivendo um momento de “aberrações jurídicas e ditadura do Judiciário”

O desembargador aposentado Sebastião Coelho participou do II Fórum sobre as Violações de Direitos após o 8 de janeiro, promovido pela Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de janeiro (ASFAV), quando tratou do Acordo de Não-Persecução Penal (ANPP) que está sendo oferecido pelo Ministério Público às pessoas presas pelo 8 de janeiro. O desembargador enfatizou duas expressões que haviam sido utilizadas pela palestrante anterior, a juíza aposentada Ludmila Lins Grilo, apontando:

“Duas expressões da dra. Ludmila já explicam tudo o que está acontecendo. Ela afirma, e eu confirmo, que nós estamos vivendo um momento de aberrações jurídicas. Também estamos vivendo um momento de ditadura do Judiciário. Digo isso, e afirmo, porque o poder judiciário usurpa das competências que são próprias dos outros poderes”. 

Sebastião Coelho apontou as anormalidades nas prisões em massa:

“Não estamos diante de um processo normal. Se estivéssemos diante de um processo regular, essas pessoas… nenhuma delas estaria sendo julgada pelo STF. A nossa legislação prevê o duplo grau de jurisdição: você é julgado por um juiz e tem um órgão revisor. Então, todos nós, cidadãos, temos direito ao duplo grau de jurisdição. Qualquer decisão proferida, ele tem direito de recorrer a alguém”.

O desembargador lembrou que, em ocasiões anteriores, havia alertado que o Ministério Público deveria ter oferecido um Acordo de Não Persecução Penal ainda em janeiro, e que ainda poderia fazê-lo, justamente porque não havia nada normal no processo. Ele afirmou:

“Eu disse que o Ministério Público tinha grande responsabilidade, porque quando ofereceu as primeiras denúncias, poderia ter oferecido o ANPP. Um acordo, naquela oportunidade, teria evitado que todos permanecessem 3, 6, 8 meses na prisão. É razoável fazer uma negociação para sair da prisão”. 

Ele apontou a diferença entre um acordo naquela ocasião e um acordo agora, quando as pessoas já passaram meses presas: “Na situação atual, o Ministério Público não tem como individualizar essas condutas. Não tem base legal. Está forçando a barra para a condenação dessas pessoas”.

Coelho lembrou que, naturalmente, a questão de aceitar ou não o acordo é uma questão de foro íntimo, que só pode ser decidida por cada um dos acusados, que permanecem submetidos a restrições de suas liberdades e seus patrimônios. Ele apontou:

“Essas pessoas continuam presas, porque, se continuam com tornozeleira eletrônica, não estão soltas. Estão em outra modalidade de prisão. Minha avaliação de quem está vendo tudo isso acontecer, é que o MP está encontrando uma maneira de ajudar o STF a sair desse imbroglio”. 

O desembargador explicou que o instituto do ANPP prevê uma confissão, e ponderou que, como não há nada normal nos inquéritos em questão, também pode-se exigir que o acordo seja feito sem a confissão. Ele disse: “Tem alguma coisa anormal dentro desse processo? Nada é normal”.

Ele acentuou: “Analisem. Cada um sabe a dor que pode suportar. Eu, Sebastião Coelho, jamais confessaria uma coisa que eu não fiz. (…) jamais eu confessaria, sob qualquer hipótese. Se oferecerem o acordo sem a confissão, analisem”.

Jornal da Cidade Online

 

Vereador Chaguinhas destaca a importância da escolha dos prefeitos para o desenvolvimento das cidades

O vereador Francisco Chaguinhas foi hoje (11) a tribuna da Câmara Municipal de São Luís, para dar destaque à importância de gestão municipal e os critérios necessários que devem ser observados e respeitados para eleição para o cargo público. Chaguinhas registrou, que o prefeito é o gestor que mais deve conhecer e estar perto das comunidades para ter maior visibilidade e condições de promover políticas públicas que cheguem a todos, consequentemente, gerando desenvolvimento nestes espaços em sintonia com os interesses coletivos.

Chaguinhas ressaltou história de administrações que culminaram com a falta de desenvolvimento das cidades, pontuando as décadas de 20 a 30. Ele citou que, nestas épocas, a escolha dos gestores municipais ocorria, em sua avaliação, de forma pouco criteriosa. Criticou ainda, o que considerou um desenvolvimento lento da capital maranhense, atribuindo à eleição dos prefeitos por, principalmente, indicações de interesse dos poderes.

“Naquele tempo, sobrevoando São Luís, não víamos nada. Quando houve a construção do Bacanga e criação das avenidas dos Africanos, Beira Mar, o Anel Viário e a barragem do Bacanga. Foi a salvação de duas décadas perdidas, em que a capital teve prefeitos que eram apenas secretários de cidades e não demonstravam compromisso com a gestão desenvolvimentista pelas próprias limitações políticas e financeiras. Isso aconteceu com São Luís e muitas outras cidades no Brasil, que tiveram seu crescimento atrasado pela gestão errônea”, exemplificou Francisco Chaguinhas.

O vereador elogiou, por outro lado, a gestão municipal dos políticos Jackson Lago e João Castelo, ambos foram prefeitos de São Luís e governaram o Maranhão. “Eles marcaram suas administrações com grandes obras de infraestrutura que ‘salvaram a cidade’. Considero figuras importantes da política. Eles sempre procuraram estar perto do povo, se informando das necessidades da população e da cidade com o apoio dos vereadores, que são auxiliares das administrações municipais, daí que são exemplos que estão postos a todos nós, afirmou o vereador.

Com os Jovens Desbravadores da Igreja Adventista

Durante sua manifestação na tribuna da Câmara, Francisco Chaguinhas comentou sobre agenda sua com grupo de jovens desbravadores da Igreja Adventista do Sétimo Dia, na última semana, quando participou de debates para um maior conhecimento da entidade. A agenda marcou as atividades da Semana do Lenço, que será celebrado dia 16 de setembro, em comemoração ao Dia Mundial dos Desbravadores (20 de setembro). Esta semana, membros da Associação Maranhense de Desbravadores e da Missão Nordeste Maranhense visitam escolas, feiras e desfilarão pelas praças com o lenço amarelo, símbolo do movimento desbravador adventista, referindo às datas.

Em outra agenda, de 15 a 19 de novembro, estarão com maior grupo, com membros do Pará, Amapá e Maranhão, em campori, denominado A Ilha, para celebrar o movimento de desbravadores. O evento será no Parque Independência no São Cristóvão. A Semana do Lenço é um momento especial, que precede o Dia Mundial dos Desbravadores. O lenço é usado para mostrar a marca e a alegria em ser desbravador, além de apoiar a campanha do setembro Amarelo, em solidariedade e apoio às pessoas que sofrem com depressão. Este ano, o Movimento Desbravadores, completa 70 anos de existência.e

Fonte: ASCOM – CMSL e AFD

 

Sem licitação, empresa familiar do ministro Juscelino Filho já lucrou R$6,2 milhões

Esposa, mãe e cunhado do ministro das Comunicações, Juscelino Filho são diretores da empresa Dio que lucrou cerca de R$6,2 milhões sem licitação do TCU. Ela teve contratos de prestação de serviços sem licitação, com as administrações municipal de São Luís e Governo Estado, nas administrações anteriores às atuais.

 A empresa médica Diagnóstico por Imagem e Oftalmologia (DIO), quem tem como socio membros da família do ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil – MA), lucrou cerca de R$6,2 milhões com serviços prestados a população maranhenses sem licitação. Contratos da empresa são questionados pelo Tribunal de Contas da União (TCU).  Localizada em São Luís, Maranhão, ativa desde de 2015, a empresa recebeu a permuta da Prefeitura de São Luís de 2017 a 2019, sem ter vencido uma concorrência pública para receber profissionais de diagnóstico e laudo de exames. O TCU avaliou outros contratos da empresa, como com o Hospital Jackson Lago, do governo estadual do Maranhão. Os auditores concluíram que a empresa recebeu o valor cheio contratual de R$3,65 milhões, pagos de janeiro de 2017 a dezembro de 2018. 

A empresa tem como sócios os cônjuges do ministro Juscelino e da prefeita afastada Luana Rezende (União Brasil -MA), irmã de Juscelino.  Lia Rezende e Rodolfo Leite, respectivamente.  A Dio não está no nome do ministro, mas chegou a ser registrada no endereço em que ele morava. Além dos cônjuges, a mãe de Juscelino Filho, Maria Cavalcanti Filho, era secretária municipal de Meio Ambiente durante o período em que as empresas atuavam sem licitação.

Juscelino afirma que acusações são forma de “Atacá-lo moralmente”

Em nota divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, o Ministério das Comunicações disse que Juscelino Filho não é sócio da empresa. 

“A tentativa de associá-lo é mais uma da coleção de ilações que tentam responsabilizá-lo pela atuação de terceiros, com o propósito claro de atacá-lo moralmente. Prova disso é que tais fatos, já explorado pela mídia em passado recente, não demonstrou e nem demonstrará, nenhuma correlação com a sua gestão à frente do Ministério das Comunicações, tampouco com o seu mandato parlamentar”, disse a pasta.

O ministro das Comunicações de Lula é alvo de suspeitas da Polícia Federal sobre a possível fraude em convênios para obras de pavimentação entre a estatal federal Codevasf e o município de Vitorino Freire. A irmã do ministro e prefeita de Vitorino Freire também é suspeita da PF.  O Supremo Tribunal Federal afastou a prefeita Luana Rezende do cargo há nove dias. 

Fonte: Folha de São Paulo e Diário do Poder

 

Senadores pedem urgência por novo rito de impeachment de ministros do STF

Requerimento assinado por 25 senadores quer agilizar proposta que descentraliza decisão sobre processo

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), anunciou nesta segunda-feira (11), que 25 senadores protocolaram requerimento pedindo urgência para tramitação do projeto PRS 11/2019, que altera o rito sobre o acolhimento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Procurador-Geral da República, por crimes de responsabilidade.

O projeto de autoria do senador Lasier Martins (PODE/RS) pretende descentralizar o poder de decisão sobre o processamento do impeachment, hoje concentrada a critério exclusivo do presidente do Senado.

“Nosso objetivo é fortalecer a transparência e a democracia no Senado. Acreditamos que, ao envolver mais senadores nas decisões sobre denúncias contra membros da Suprema Corte, garantimos um processo mais equilibrado e representativo. Estamos trabalhando para que as decisões no Senado reflitam a vontade de todos”, disse Marinho.

A proposta prevê que, apresentada a denúncia, o presidente do Senado tenha um prazo de 15 dias úteis para verificar a existência dos requisitos formais e comunicar ao Plenário o recebimento ou o indeferimento do pedido. Caso o presidente do Senado silencie sobre o pedido, após o prazo, a maioria dos membros da Mesa Diretora poderá se manifestar sobre os seus requisitos formais.

Desde o despacho do presidente do Senado Federal ou da maioria dos membros da Mesa Diretora, caberá recurso ao Plenário assinado por, no mínimo, um terço dos membros da Casa, no prazo de cinco sessões deliberativas ordinárias. Tal recurso deverá ser automaticamente incluído na Ordem do Dia, em até quatro sessões deliberativas ordinárias, devendo ser aprovado por voto favorável da maioria absoluta da composição da Casa. O restante do rito deve ser preservado, conforme a Lei nº 1.079, de 10 de abril de 1950, e o disposto nos artigos. 377 a 381 do Regimento Interno do Senado Federal.

Diário do Poder

 

Faustão recebeu alta hospitalar com a função cardíaca normal

O apresentador Fausto Silva, o Faustão, recebeu alta neste domingo (10) do Hospital Albert Einstein, onde foi submetido a um transplante de coração, no último dia 27 de agosto. Ele estava internado desde 5 de agosto em razão de uma insuficiência cardíaca.

“Fausto Silva recebeu alta do Hospital Israelita Albert Einstein neste domingo, dia 10 de setembro de 2023. O paciente seguirá sob as orientações médicas e nutricionais necessárias para a reabilitação após o transplante cardíaco”, diz o boletim médico divulgado.

De acordo com a equipe médica, Faustão não apresenta sinais de rejeição ao órgão e está com a função cardíaca normal. Na sexta-feira (8), ele foi transferido da unidade de tratamento intensivo para o quarto.

Jornal da Cidade Online

 

Lula recua da tolice sobre eventual prisão de Putin no Brasil

Petista mudou a versão sobre eventual prisão do mandatário russo

Após mais uma manifestação desastrosa aos olhos da comunidade internacional, o presidente Lula recuou e deu outra versão sobre eventual prisão do presidente da Rússia, Vladimir Putin, caso o mandatário venha ao Brasil para participar da próxima cúpula do G20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, em novembro.

No sábado, durante entrevista a uma TV Indiana, Lula disse que Putin, que tem um mandado de prisão internacional por crimes de guerra relacionados ao conflito com a Ucrânia, não seria preso se viesse ao encontro no Rio de Janeiro. Após repercussão negativa, Lula recuou.

“Isso quem decide é a Justiça. Não é o governo nem o parlamento. É a Justiça que vai decidir”, afirmou durante coletiva de imprensa em Nova Délhi.

Diário do Poder

O bode expiatório dos idealizadores do 8 de janeiro

Por um “azar-do-destino”, o então Chefe do GSI, General Gonçalves Dias, no polêmico dia 8 de janeiro de 2023, que redundou em vandalismo e depredação nos prédios da Praça dos Três Poderes, em Brasília, foi pego no “flagra”, em atitude condescendente com os invasores, em filmagens que vazaram. As imagens foram tão claras que o general não conseguiu escapar das acusações que o responsabilizavam por omissão nos atos de vandalismo decorrentes.

O “general do Lula!”, como é conhecido nos círculos políticos mais íntimos, compõe uma elite de militares promovidos ao generalato durante os governos de esquerda, que se seguiram ao Regime Militar de 64, que tiveram vários “presidentes” comprometidos com a esquerda exercendo concomitantemente o “Comando Supremo das Forças Armadas”, por força do artigo 142 da CF (caput).

Com o fim do Regime Militar, em 1985, a esquerda predominou, para mais ou para menos, até 2018, quando foi eleito um conservador, o ex-capitão do exército, Jair Bolsonaro, que governou até 31 de dezembro de 2022.

Só mesmo quem tem um só neurônio no cérebro, assim mesmo para (não) pensar, poderia imaginar que as Forças Armadas, inclusive o Exército, teriam internamente autonomia suficiente, ou “soberania”, para escolher os seus oficiais superiores, inclusive a nominata do generalato, “independentemente” da concordância, ou não, do seu “Comandante Supremo”, no caso, o respectivo Presidente da República.  

Por isso só ingênuo poderia acreditar que não teria por trás dessas escolhas o componente “ideológico”. Talvez seja por isso que muitos entendem que a plantação de militares “melancias”, verdes por fora e vermelhos por dentro, semeadas especialmente após 2003, entre a primeira posse do Presidente Lula, até 2016 (impeachment de Dilma), teria sido altamente produtiva e hoje estaria predominando nas Forças Armadas.

E o “general do Lula” certamente seria um deles. Por isso não haveria melhor cabeça a ser entregue numa bandeja, para livrar os verdadeiros responsáveis pelo 8 de janeiro, e assim “esquecê-los”, do que a cabeça do “general do Lula”, que iria ao “sacrifício”, inclusive para livrar a cara do seu “deus” e patrão, que “coincidentemente”, durante a depredação de 8 de janeiro, estava “de surpresa”, no interior de São Paulo.

O “balanço” final das responsabilidades sobre o 8 de janeiro estaria favorecendo largamente o Governo, com milhares de vândalos “bolsonaristas” presos ou condenados pelo STF, e um só “contrapeso” governista envolvido, assim mesmo por “omissão”, o general “bode expiatório”.

Sérgio Alves de Oliveira

Advogado, sociólogo, pós-graduado em Sociologia PUC/RS, ex-advogado da antiga CRT

 

Governo Lula corta R$ 708 milhões do orçamento de 2024 para combate à criminalidade

Recursos destinados para desenvolvimento de políticas de segurança pública têm redução de 31,5% para o ano que vem

A proposta de orçamento para 2024 do governo federal cortou em 31,5% os recursos voltados a ações de prevenção e enfrentamento da criminalidade e de desenvolvimento de políticas de segurança pública. Enquanto em 2023 o poder público teve R$ 2,244 bilhões para essas finalidades, para o ano que vem a previsão é de que a verba seja de R$ 1,536 bilhão, uma redução de R$ 708 milhões.

O R7 fez o levantamento tendo como base a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2023 e o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2024, enviado pelo governo ao Congresso Nacional no fim de agosto.

A programação financeira da União tem ao menos quatro tipos de ação orçamentária voltados a programas para aperfeiçoar a segurança pública e o combate à violência. Uma delas é controlada diretamente pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e é identificada pelo nome “Desenvolvimento de Políticas de Segurança Pública, Prevenção e Enfrentamento à Criminalidade”.

Essa ação é a que tem a maior redução prevista para 2024. Neste ano, a pasta reservou R$ 427,4 milhões para essa despesa. Para o ano que vem, os recursos são estimados em R$ 536,3 mil, um corte de 99,8%.

Fonte: R7

 

Escândalo de corrupção no Cartório de 1º Ofício de Caxias -MA com extorsão, peculato e denúncias no CNJ

A denúncia foi feita em São Luís e ganhou destaque nacional no Diário do Poder. O fato deve ter grande repercussão no contexto político e no TJMA, em que há citações contra a Corregedoria Geral de Justiça.

Um imenso lamaçal pode estar sendo acobertado em Caxias (MA), importante município a 370 km de São Luís. O responsável pelo Cartório do 1º Ofício Extrajudicial daquela cidade, Aurino da Rocha Luz, já denunciado no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), é alvo de nova representação, desta vez com pelo menos 10 relatos de irregularidades graves – incluído peculato, cobranças extorsivas e ilegais por serviços cartorários. A informação foi publicada no Jornal Pequeno, da capital maranhense.

Aurino Luz foi denunciado ao CNJ após várias tentativas de fazer com que fosse investigado no âmbito da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Maranhão – todas resultando em decisões que o favoreciam, com desconhecimento das irregularidades, mesmo na presença de provas e até mesmo da devolução de valores cobrados a mais pelo tabelião. Na nova representação, relacionam-se pelo menos dez casos em que o denunciado cometeu atos ilícitos – cobrando valores extorsivos, fora da tabela de selos para os emolumentos, não repassando valores devidos à Fazenda Pública e até usando laranjas para se apropriar de imóveis.

As ações de Aurino Luz, conforme a representação assinada pelo advogado José de Arimatéia Torres Silva em nome do assessor imobiliário Luiz Felipe de Almeida Bello, reportam o caso mais escandaloso da série de irregularidades cometidas: a tentativa de cobrar 15 lotes de terras em um loteamento de alto padrão como pagamento por serviços cartorários que custam infinitamente muito menos que o valor dos imóveis solicitados para a realização do trabalho – o que é incomum, considerando o fato de que imóveis não são moeda para uso em transações entre um prestador e um usuário de um serviço público.

Assim, além da recorrente perda financeira do Estado pelo não repasse de recursos, há evidentes prejuízos para os usuários dos serviços cartorários – em número que não se pode definir porque as denúncias formuladas, com provas robustas, podem ser apenas a ponta de um iceberg de irregularidades rotineiramente cometidas pelo responsável pelo Cartório do 1º Ofício Extrajudicial de Caxias. As denúncias contra o tabelião vêm de longe, são do conhecimento da Corregedoria e da Ouvidoria do Tribunal de Justiça do Maranhão, e só há algum movimento para minimamente punir o denunciado quando se veiculam na média convencional e em redes sociais.

Denunciado por vereador de Caxias e deputado estadual

Deu-se assim quando Aurino Luz foi denunciado pelo vereador Antônio José Bittencourt de Albuquerque (popularmente conhecido como Catulé, da cidade de Caxias, e do deputado estadual Yglésio Luciano Moyses Silva. O vereador informou em sessão da Câmara Municipal de Caxias que recebeu “62 denúncias com provas de extorsão, de ladroagem” contra o representante do cartório. Segundo o vereador, Aurino age realizando “uma verdadeira extorsão”. “O homem [Luz] tomou terras, cobra três vezes o cidadão, faz usucapião extrajudicial, tem uma holding com nome de duas filhas menores e da mulher que auxilia ele no cartório”. O caso de usucapião extrajudicial citado pelo vereador está relatado em Processo Administrativo Disciplinar – PAD – instaurado na Justiça de Caxias e também está na representação ao CNJ. O deputado estadual trafegou na mesma direção das denúncias do vereador Catulé, ao afirmar que o notário “facilita a venda do terreno, arruma um ‘laranja’ e depois, com essa empresa, ele compra todos os terrenos”.

Na lista de denúncias reiteradas pelo deputado, a solicitação de Luz a um usuário dos serviços cartorários (Sr. Washington Leite Torres) de vantagem indevida (15 lotes de um empreendimento imobiliário); cobrança a maior de registro de retificação de georreferenciamento de imóvel e existência de empresas da esposa e filhos como adquirente de imóvel usucapido administrativamente pelo próprio Aurino Luz. Neste caso, o usucapiente é Ricardo de Brito Cruz, apontado como primo do registrador.

Juiz da Fazenda Pública de Caxias instaurou Processo Administrativo

Todos os casos denunciados foram levados ao conhecimento do Juízo da Vara da Fazenda Pública da Comarca de Caxias, formalizadas nos autos do processo nº 0802991-67.2023.8.10.0029. Nessa ação, ao se defender das denúncias, Aurino Luz comprova cobranças extorsivas ao juntar documentos de devolução de valores cobrados a mais. Os casos denunciados foram considerados graves pelo juízo, a ponto de partir imediatamente para a instauração de um Processo Administrativo Disciplinar – PAD – decisão que se baseou no depoimento ao Ministério Público do usuário da serventia extrajudicial, Sr. Washington Leite Torres, “em que narra o comportamento ilícito do registrador Aurino da Rocha Luz, inclusive com prints de conversa que se traduz em infração disciplinar e até mesmo, em tese, penal, na qual solicita vantagem indevida para exercer o seu trabalho.

Como não bastassem as provas das vítimas de suas ações irregulares, o próprio Aurino Luz juntou documentos na ação que comprovam o que o juiz enumerou como cobrança indevida de emolumentos, “em valores em muito acima da tabela”, que “restaram comprovados nos autos do presente pedido de providências, pois o próprio reclamado junta documentos restituindo os valores exorbitantes cobrados acima da tabela de emolumentos, em data bem posterior aos fatos, além de que deu-se após denúncias na mídia social..

Ao restituir valores cobrados a mais, há conforme o entendimento do juiz, tácito reconhecimento da irregularidade cometida: ‘O simples fato de ter restituído os valores cobrados de forma indevida, em nada afasta a conduta vedada, pois não se trata de um ato isolado, mas sim, de prática reiterada adotada pelo mesmo, pois em curso várias investigações e reclamação de cobrança indevida de emolumentos, consistentes em entregar recibos com o valor cobrado acima da tabela e constar no selo valores bem inferiores, em afronta ao cidadão e ao próprio Poder Judiciário.”

Porém, Luz agiu para dificultar o trabalho de investigação do Ministério Público e do Judiciário, pois, conforme observou o juiz corregedor em fiscalização no cartório Caxias, a documentação foi enviada de forma desorganizada e incompleta, com o claro propósito de dificultar o trabalho correcional. Isso, entendeu o juiz, é um forte indício de que a serventia extrajudicial está sendo usada em proveito próprio por Aurino Luz.

Representação de assessor imobiliário relata conhecimento da Corregedoria do TJMA

A representação do assessor imobiliário Luiz Felipe de Almeida Bello, no âmbito de reclamação já existente no CNJ, visa a buscar punição a Aurino Luz, posto que no âmbito da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Maranhão, o tabelião do Cartório do 1º Ofício Extrajudicial de Caixas nunca foi admoestado, mesmo quando a solicitação partiu do juiz em Caxias.

Em razão de Aurino Luz ter encaminhado documentação desorganizada e incompleta para dificultar a ação correcional, o juiz solicitou ao Corregedor-Geral de Justiça do Estado do Maranhão o afastamento dele até a conclusão do procedimento administrativo disciplinar, uma vez que o próprio juiz corregedor permanente não poderia determinar o afastamento por prazo necessário a conclusão do PAD, já que está impedido de fazê-lo de acordo com o Código de Normas da Corregedoria Geral da Justiça.

Apesar do pedido do juiz, que abriu investigação contra Luz, ante graves fatos expostos, definidos por fortes indícios de faltas funcionais e até mesmo comprovada utilização do cargo para dificultar o trabalho correcional, o tabelião segue incólume na Corregedoria do TJ-MA. A Corregedoria não enxergou a necessidade de afastar o tabelião, considerando que ele, ainda que tenha todo o controle do cartório, não teria o condão inviabilizar a apuração das faltas imputadas pela Comissão Processante do Processo Administrativo Disciplinar. Isso após um juiz constatar que Aurino Luz criou obstáculos à atuação correcional.

Diante de uma situação que, na representação ao CNJ, advogado José de Arimatéia Torres Silva, em nome do assessor imobiliário Luiz Felipe de Almeida Bello, considera bastante razoável que o órgão correcional do Judiciário do Maranhão, esteja agindo de modo leniente, “quanto aos fatos envolvendo o tabelião, já que até o presente momento não se verificou qualquer medida enérgica no sentido de impedir que o cartorário em questão siga no exercício de suas funções, seja cometendo supostos novos ilícitos (administrativos e criminais), seja atrapalhando o bom andamento das apurações que se fazem indispensáveis para conclusão do PAD e também das representações de ordem criminal que já tramitam contra ele”.
O raciocínio de proteção ao tabelião se verificou em discurso do deputado estadual Yglésio Moyses, em 16 de março de 2023, quando da tribuna da Assembleia Legislativa, para quem a manutenção de Luz como titular na Serventia Extrajudicial do 1º Ofício de Caxias, pode ser atribuída ao fato dele “estar sendo protegido dentro do Tribunal de Justiça do Maranhão”

A representação ao CNJ solicita que todos os procedimentos que investigam a recorrente conduta ilícita do tabelião sejam remetidos à Corregedoria Nacional de Justiça. Há uma razão para isso, segundo os denunciantes: ao longo de sua vida funcional, enquanto oficial registrador na Serventia Extrajudicial do 1º Ofício de Registro de Imóveis de Caxias, Aurino da Rocha Luz acumula um vasto histórico de acusações de cometimento de irregularidades funcionais. A representação lembra que a despeito de um longo histórico de supostas transgressões funcionais, desde cobranças indevidas até supostas práticas de corrupção passiva consistente em solicitar vantagem indevida, aos olhos da Corregedoria do TJ-MA, tais atos não apresentam gravidade o bastante para que sejam tomadas medidas preventivas que resguardem os interesses dos usuários e da Fazenda Pública.

Os signatários da representação no CNJ enxergam permissividade do órgão correcional do Judiciário no Maranhão, pois mesmo diante das notícias de cometimento de ilicitudes pelo tabelião, “resta evidente que as medidas preventivas procedimentais e até as penalidades adotadas em procedimentos administrativos que tramitam em desfavor dele, não propiciam a evolução das apurações e não guardam proporcionalidade com os atos apurados”. Ante isso, eles dizem que a leniência da Corregedoria faz com que as vítimas deixem de acreditar na justiça por suporem que o tabelião goza de alguma proteção naquele órgão correcional.

Fonte: Com informações do site Direito Global e o Diário do Poder

 

SINTSEP ratifica inclusão da recomposição salarial dos servidores do Estado na LDO 2024

O SINTSEP ratificou em ofício ao secretário de Estado do Planejamento e Orçamento (Seplan), Vinícius Ferro Castro, solicitando que o Governo do Maranhão garanta na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o exercício de 2024, que será encaminhada à Assembleia Legislativa, a recomposição salarial dos servidores públicos do Estado.

No documento, o SINTSEP reforça que, ao longo dos últimos oito anos, os servidores já acumulam 56,29% de perdas salariais. O sindicato também já tentou, por inúmeras vezes, ter um diálogo com o Poder Executivo sobre a política salarial dos servidores, mas nenhuma das solicitações de reunião foram atendidas.

“Enquanto isso, os servidores veem, a cada dia, o poder de compra diminuindo, os salários sendo corroídos pela inflação e sem qualquer perspectiva de mudança desse cenário. Iniciamos a nossa campanha salarial e esperamos que, desta vez, o governador Carlos Brandão tenha sensibilidade e reconheça a importância daqueles que fazem a máquina pública funcionar”, afirmou Cleinaldo Bil Lopes, presidente do SINTSEP e coordenador do Fórum de Defesa das Carreiras do Poder Executivo.

Seguiremos pressionando e contamos com o apoio de todos os servidores públicos estaduais nesta luta que já se arrasta há tanto tempo. Precisamos ser ouvidos e, acima de tudo, valorizados. Vamos em frente, afinal de contas todos precisamos de reposição salarial, não somos contra concessões privilegiadas, desde que os funcionários públicos estaduais estejam inseridos no contexto, levando-se em observação que a máquina funciona com a força que vem base com a labuta diária em condições de desigualdades sociais e muitas vezes fazendo malabarismo para garantir o povo de cada dia da família, lamentável, mas é a verdade afirma Cleinaldo Bil.

Fonte: SINTSEP-MA