Toma lá, dá cá: Quem são os políticos do Centrão nomeados pelo presidente Bolsonaro

Desde que passou a negociar cargos com os partidos do chamado centrão em troca de apoio no Congresso, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já entregou espaços importantes da máquina federal a legendas como PP, PL e Republicanos.

As indicações começaram a ser feitas em abril pelos partidos. As primeiras nomeações saíram no fim do mês passado. Atacado na campanha por Bolsonaro como sendo exemplo do que chama de velha política, composto por congressistas adeptos do “toma lá da cá”, o centrão reúne cerca de 200 dos 513 deputados.

O grupo é formado principalmente por PP, PL, Republicanos, PTB e PSD (esse último nega fazer parte), que encabeçam a atual negociação. DEM, MDB e Solidariedade também fazem parte do bloco na Câmara, comandado pelo líder do PP, Arthur Lira (AL). Do lado de Bolsonaro, as negociações têm como objetivo formar uma inédita base de sustentação no Congresso para garantir a aprovação de projetos e, principalmente, barrar a abertura de um possível processo de impeachment do presidente.

Para evitar esse risco, Bolsonaro precisa ter ao seu lado pelo menos 172 dos 513 deputados federais. O caso que mais causou repercussão foi o do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, que fez o Ministro da Educação, Abraham Weintraub, balançar e sair enfraquecido politicamente da disputa. O governo nomeou ontem um indicado do PL, partido do centrão, para a Diretoria de Ações Educacionais do FNDE. Trata-se de um órgão que gere um dos maiores orçamentos do Ministério da Educação (MEC), de R$ 54 bilhões, e sua atuação tem forte interface com os governos municipais e estaduais.

As negociações da diretoria e da presidência do FNDE fazem parte de um pacote maior de cargos discutido entre o governo e os partidos do centrão, que inclui ainda o Banco do Nordeste e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

Os pedidos estão sendo encaminhados por Republicanos, PP, PL e PSD na aproximação recente com o governo Bolsonaro, que busca construir uma maioria no Congresso para evitar eventuais processos de impeachment. Contudo, as siglas têm reclamado da demora nas nomeações, enviadas no mês passado. O governo tem se justificado citando a análise de todas as indicações que é feita pela Associação Brasileira de Inteligência (Abin).

NOMEAÇÕES LIGADAS AO CENTRÃO FEITAS POR BOLSONARO

Fernando Leão (Avante)

Nomeado para a direção-geral do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), indicado pelo Progressista. Vinculada ao MDR (Ministério do Desenvolvimento Regional), a autarquia é responsável pela construção de barragens e açudes nas regiões áridas do país, tem forte caráter assistencial no interior do Nordeste. Apesar da indicação do Progressista, Marcondes é filiado ao Avante. A costura fez parte da estratégia de partidos maiores de atraírem siglas menores para a base do governo.

Carlos da Silva Filho

Nomeado para a Superintendência de Trens Urbanos do Recife por indicação do PSC. A superintendência faz parte da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), que é vinculada ao MDR. A nomeação teve a chancela de caciques do centrão da Câmara com o objetivo de levar o PSC, que tem nove deputados, para a base de Bolsonaro.

Tiago Pontes Queiroz

Nomeado para a Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional por indicação do Republicanos. Advogado, Queiroz entrou no lugar de Adriana Melo Alves, funcionária de carreira do MDR.

Garigham Amarante Pinto

Nomeado para a Diretoria de Ações Educacionais do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) por indicação do PL.

A diretoria é responsável pela gestão de alguns dos programas mais importantes do fundo, que tem orçamento bilionário, como os de livro didático, transporte escolar e de transferências diretas para as escolas. Garigham é nome de confiança de Valdemar Costa Neto, que comanda o partido.

Carlos Marun (MDB)

Aliado fiel do ex-presidente Michel Temer (MDB), o ex-ministro foi nomeado para o cargo de conselheiro da Itaipu Binacional. A indicação teria partido do próprio ex-presidente.

José Carlos Aleluia (DEM)

Reconduzido ao conselho da Itaipu Binacional, é indicação do DEM. Antigo cacique do partido, o ex-deputado foi sugerido para o cargo pelo presidente da legenda, ACM Neto (BA), segundo congressistas.

Com FOLHAPRESS e AGÊNCIA O GLOBO

 

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