Lula foi ao Papa Francisco agradecer o apoio à campanha do Lula Livre

           Encontro de Papa Francisco e Lula confirma proximidade com esquerda

Muitos se perguntam por que o Papa Francisco já visitou os principais países da América Latina mas não retornou à sua terra natal, de onde saiu em março de 2013 como cardeal Jorge Mario Bergoglio e nunca mais voltou. Neste caso, a resposta seria “é a política, estúpido”. A política atravessou sua vida e não deixou de ser assim quando o ex-arcebispo de Buenos Aires foi escolhido como sucessor de Bento XVI. Francisco nunca dirá publicamente, mas está muito próximo do peronismo e da centro-esquerda. Como arcebispo portenho, pode ter mergulhado em delicados entreveros com os governos Kirchner. Mas quando tornou-se Papa, teve sete encontros com atual vice de seu país, Cristina Kirchner. O ex-presidente Mauricio Macri, por sua vez, foi tratado com frieza e distância.

Além de Cristina, desde março de 2013 passaram pelo Vaticano vários dirigentes peronistas, como o novo embaixador do país no Brasil e ex-governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli. Também Avós da Praça de Maio e o Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel tiveram audiências. Francisco recebe todos na Santa Sé, e a todos diz que não é o momento de pisar em solo argentino. Quem o conhece sabe dos temores do Papa de ser usado politicamente em seu país. A ira de alguns por esta decisão, é pública. A deputada Elisa Carrió, aliada de Macri e arquirrival de Cristina, reclamou que Bergoglio “foi escolhido papa e chefe espiritual, não dirigente de uma Unidade Básica (peronista)”.

Na Venezuela, a oposição nunca perdoará o Papa por ter recebido Nicolás Maduro. Outro que teve encontro de alto nível no Vaticano foi o ex-presidente da Bolívia Evo Morales. A proximidade com o peronismo e com a centro-esquerda chilena ajudou a orquestrar a viagem do ex-chanceler brasileiro Celso Amorim a Roma, em meados de 2018, em companhia do presidente da Argentina, Alberto Fernández, que na época não era sequer candidato. O motivo? Pedir o apoio à campanha pela libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, livre, Lula foi agradecer o gesto ao Sumo Pontífice.

Fonte: O GLOBO

 

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