Jornalista preso pela ditadura de Cuba revela horror: ‘Desesperador’

Orelvys Cabrera passou 33 dias em uma cela minúscula. País pode viver uma nova onda de protestos contra o governo.

O jornalista cubano Orelvys Cabrera ficou preso por mais de um mês por participar de protestos contra o governo de Cuba. A ditadura comunista de Miguel Díaz-Canel persegue e prende as pessoas que são contrárias ao regime. Em entrevista ao Jornal da Record, Cabrera relatou que, na prisão, as condições eram desumanas. “Era desesperador. Fiquei 33 dias em uma cela muito pequena, sem oxigênio. Havia outros dez homens lá dentro, havia pessoas que testaram positivo para o coronavírus. Não tinha nenhuma assistência médica.”

Cabrera estava entre os manifestantes que, em julho, foram às ruas de dezenas de cidades do país protestar contra o governo comunista de Miguel Díaz-Canel. Os atos foram motivados pela falta de comida, remédios e itens básicos. E também pela forma como o governo lidou com a pandemia.

Na época, as manifestações foram reprimidas com violência. Houve mais de cem prisões, dezenas de feridos e um morto.

Enquanto permaneceu detido, Cabrera conta que ficou à margem da lei. Ele perdeu quase 20 quilos por causa da alimentação ruim e não teve contato com a família nem com advogados. Assim como outros presos políticos, Cabrera foi torturado.

“A minha família não sabia onde eu estava. Ficaram sem dar notícias para minha família”, disse. “Eu cheguei a pensar que nunca mais iria ver minha família, cheguei a pensar que nunca mais iria voltar para minha casa.”

Organizações internacionais de direitos humanos têm alertado insistentemente governos de todo o mundo sobre as constantes violações sofridas pelos cubanos. E o que deixa esses ativistas ainda mais preocupados é que a ditadura de Cuba não permite a entrada no país de observadores internacionais. Eles afirmam que o regime da ilha comunista quer a todo custo manter as arbitrariedades cometidas contra a população escondidas da crítica internacional.

A organização Human Rights Watch afirma que o relato das vítimas, como o de Cabrera, é uma das poucas formas de sensibilizar o mundo sobre o drama cubano.

“Cuba é uma ditadura que não tolera nenhum tipo de crítica e está usando a repressão e a perseguição contra qualquer um que expressa opinião que discorde da linha oficial do governo”, disse Cesar Muñoz, pesquisador da Human Rights Watch.

O país pode viver uma nova onda de protestos. Cubanos prometem voltar às ruas no próximo dia 15. O governo considera o movimento ilegal e convocou a população que apoia a ditadura a se armar e lutar contra os manifestantes. Agora em casa, o jornalista, que teme pela própria vida, faz um apelo.

“Irmãos de todo o mundo, estou pedindo, por favor, que coloquem seus olhos sobre a ilha”, afirmou Cabrera. “Vai haver muita repressão, já estão dando indícios nas redes sociais. O regime deu a ordem para que os cubanos se enfrentem nas ruas.”

Os grafites de criaturas semelhantes a alienígenas e homens usando balaclava surgidos nos muros de Havana marcam um contraste com os slogans políticos otimistas e as pinturas dos rostos de revolucionários cubanos. Para um punhado de jovens artistas de Cuba, estas criações ilícitas são um meio de tocar, de maneira cifrada, em temas sociais que vão do medo de se expressar livremente em público ao materialismo crescente na ilha de governo comunista.

Fonte: Jornal da Record

 

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