Governo do Maranhão é responsável por violência no campo com invasões de território e mortes, diz entidade

Representantes da entidade de defesa de direitos Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão dialogaram com familiares da quebradeira de coco babaçu Maria Rodrigues, que teve sua vida e a de seu filho, José Correa Junior, interrompidas no dia 12 de novembro. Tudo caminha para que as vítimas tenham sido assassinadas, mas como as investigações geralmente não são conclusivas e muitas nem chegam a justiça fica um difícil saber a realidade dos fatos, mesmo nos casos de premeditação. No Maranhão a volta de jagunços por fazendeiros e grileiros é uma realidade cada mais maior.  

Por Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão

Dialogaram com familiares da quebradeira de coco babaçu Maria José Rodrigues, que teve sua vida e a de seu filho, José do Carmo Correa Junior, interrompidas no dia 12 de novembro. Os familiares e representantes das Associações dos Pequenos Agricultores Rurais, de duas comunidades – de um total de três – que integram o Assentamento Buritiata (reconhecido desde 2004 pelo Incra), no município de Penalva, no Maranhão (MA), denunciaram que as mortes estão relacionadas com crimes ambientais, como o desmatamento e invasão do assentamento por grileiros. Eles desconfiam também sobre o motivo que levou “essas pessoas à morte” e lamentam também a demora da investigação policial.

Mãe e filho coletavam o coco babaçu para a quebra em uma área já assegurada legalmente para os assentados, “mas invadida ao longo de 200 metros pelo fazendeiro Cazuza, que contratou um tratorista para desmatar e cercar a área de assentamento, onde dona Maria costumava coletar o coco”, denunciaram alguns moradores. Eles desconfiam, ainda, se a versão contada pelo tratorista na delegacia de que uma palmeira derrubada pelo trator matou mãe e filho.

“Será que não foi o trator que atropelou, em vez da Palmeira? O corpo de dona Maria estava intacto, o do filho muito machucado”, afirmaram. Familiares e comunidade reclamam da falta de informação por parte das autoridades competentes. Um outro filho de dona Maria percorria as delegacias dos municípios de Penalva e de Viana (MA) para obter notícias sobre a investigação e o inquérito policial.

“Será que não foi o trator que atropelou, em vez da Palmeira? O corpo de dona Maria estava intacto, o do filho muito machucado”

No encontro, foram prestadas homenagens à quebradeira de coco babaçu Maria Jose Rodrigues e seu filho, José Carmo Correa Junior. Na foto, segurando o retrato, filha de Maria Rodrigues. Foto: Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão

Os integrantes da Teia levaram solidariedade à família e colocaram à disposição a articulação para que “juntos possamos ser ainda mais atuantes e pressionarmos o poder público para que parem de nos matar”, afirmaram. Denunciaram também o agravamento da violência contra os povos e comunidades tradicionais. “A vida de uma mulher preta, quebradeira de coco babaçu importa”. A Teia dos Povos é uma rede entre indígenas, quilombolas, pescadores artesanais, ribeirinhos, quebradeiras de coco, sertanejos, geraizeiros entre outros povos e comunidades tradicionais em busca do Bem Viver.

O assentamento Buritiata foi regularizado em 2004 pelo Incra. Hoje são cerca de 150 famílias divididas em três comunidades: Centro do Meio, Jaraguarai e Boa Esperança. As comunidades ocupam o território de forma tradicional.

Conivência do Estado do Maranhão

Situações de conflito agrário no Maranhão estão se tornando ainda mais comum devido à conivência do Governo do Estado do Maranhão, por meio do governador Flavio Dino, e da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, que se encontra na mira da Defensoria Pública e do Ministério Público Federal. “A política do Governo do Maranhão está alinhada com os grandes empreendimentos”, afirma a Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais.

“A política do Governo do Maranhão está alinhada com interesses de empreendimentos” com licenças ambientais até para áreas indígenas

As atividades da Secretaria do Meio Ambiente estão sob investigação. A Sema recentemente foi questionada por meio de ações judiciais devido à falta de transparência para a liberação de uma série de licenças ambientais expedidas sem atender à regras criadas pelo próprio poder público e por legislação federal.

Por meio da Sema, licenças ambientais foram expedidas para implantações de torres de energias em comunidades quilombolas e indígenas. O que impactou diretamente 12 quilombos em Itapecuru-Mirim e na prisão arbitrária de 16 indígenas Gamella, na Baixada Maranhense no mês de novembro. Outra licença ambiental assegurou o desmatamento no território quilombola Tanque da Rodagem e São João, em setembro. A conivência da Sema aumenta a tensão nas comunidades rurais em conflito agrário. Atualmente, são mais de 70 registrados no Maranhão com 09 assassinatos tendo como foco, os conflitos agrários.

Fonte: Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão

 

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