Cadê a Prefeitura? Cadê a Câmara? Empresários e Rodoviários desafiam a tudo e a todos

Há pouco mais de um mês, o prefeito Eduardo Braide com vários secretários municipais na praça Maria Aragão, onde estavam dezenas de coletivos, anunciava que a prefeitura de São Luís estava colocando mais 50 coletivos novos para atender a população da capital. Questionei a colocação, pelo fato da prefeitura de São Luís não ter nenhuma empresa de coletivo e adquirir um número considerável de ônibus.

Fiz uma séria advertência, que os empresários estavam utilizando a mesma estratégia com que manipularam os serviços de transportes coletivos durante a administração do ex-prefeito Edivaldo Holanda Júnior. Eles fizeram o ex-prefeito tornar público que em sua administração teria sido feita uma renovação de mais de 80% da frota de nossa capital. O interessante é que os ônibus velhos continuam em operações, e todos os dias apresentam panes mecânicas e abandonam usuários nas ruas e avenidas da cidade.

Agora que o Ministério Público de Defesa dos Direitos do Consumidor está cobrando a renovação da frota de São Luís é que começou a ficar claro, que o ex-prefeito foi vergonhosamente enganado pelos empresários com a conivência da SMTT.

Os coletivos apresentados como novos, eram na verdade chassis com motores recondicionados que receberam carrocerias novas, prática bastante utilizada por empresários do ramo de coletivo que aqui agiram de má fé e de maneira desrespeitosa e desonesta ludibriaram o ex-prefeito. A manipulação era tão determinada, que eles tinham escritório dentro da Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte e lá eram feitas inúmeras articulações, dentre as quais a roubalheira dos créditos de usuários de transporte coletivo, em que o maior número de pessoas vítimas de desonestidade é servidor público municipal, que paga o vale transporte com créditos, enquanto o Estado paga em dinheiro incluso mensalmente nos contracheques.

 Quem vai dar um basta no desrespeito e colocar os ônibus em circulação

Empresários e rodoviários entenderam que estão acima das instituições e dos direitos da população de ter acesso ao transporte coletivo. Acintosamente ignoraram três decisões da Justiça do Trabalho, ordenando a circulação de 90% da frota e pelo visto devem estender a greve por mais dias, esperando que a própria Justiça do Trabalho, a quem tripudiaram, que em dissídio coletivo decida por um percentual de reajuste para as tarifas. Não tenhamos dúvidas que esse deve ser o caminho para a suspensão temporária do movimento que é de conluio vergonhoso entre as duas categorias.

O mais desmoralizante, que causa revolta e indignação a população é o silêncio e omissão da prefeitura de São Luís e da Câmara Municipal, como se o problema esteja afeto apenas ao Ministério Público do Trabalho e a Justiça do Trabalho e se mostram distante das discussões, mesmo com as decisões favoráveis para a circulação dos ônibus. Procurador sabe até onde vai a sua autonomia e não se insere na luta em defesa dos direitos da população. Discursos na Câmara Municipal como instrumento de repercussão não vai lugar algum, principalmente que se sabe da proximidade de muitos vereadores com empresários, além de outros que se mantêm em silêncio para não se comprometerem.

O Serviço de Transporte Público é uma concessão municipal e precisa ser revista imediatamente pela Prefeitura de São Luís e pela Câmara Municipal, principalmente que a licitação feita na administração municipal passada, não passou de uma farsa para proteger interesses. A anulação pode ser feita por inúmeros fatores, dentre os quais, regras estabelecidas e não cumpridas, como a recuperação dos terminais de coletivos e o reduzido números de coletivos para rodar diariamente em cada linha, um dos fatores da deficiência na prestação dos serviços.

Fonte: AFD

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