Aumento da extrema pobreza e a falta de comida, o ovo ainda é o ‘prato principal’ na pandemia

Coloca a panela no fogão, acende, põe um fio de óleo e quebra um ovo. Este se tornou o novo hábito diário de milhares de brasileiros nos últimos meses na hora de preparar as refeições. É bom ressaltar, que esses são os que ainda conseguem comprar um ovo para matar a fome de diversas pessoas. A verdade é que a fome e a miséria estão avançando com maior velocidade que a pandemia. Principalmente em Estados e municípios em que antes da pandemia as desigualdades eram bem dolorosas e excludentes.

Com o agravamento da crise financeira causada pela pandemia do coronavírus e as constantes altas do preço da carne, aliados à perda da renda e do emprego, o ovo tornou-se a principal fonte de proteínas de muitas famílias.

“Eu sempre comprava costela, bife ou frango. Mas hoje bife é para rico. Aqui em casa, nem pensar. Quando compro alguma coisa diferente, é coxa e sobrecoxa. Até o pé do frango está caro”, afirmou Maria José, que mora com o marido e a filha na Brasilândia, zona norte de São Paulo.

“Antes, a gente sempre colocava carne na mesa. Mas hoje a gente faz tudo com ovo. Omelete, ovo frito, cozido. Daqui a alguns dias, a gente não vai aguentar mais”, contou à reportagem.

Um estudo do grupo de pesquisas Food for Justice: Power, Politics, and Food Inequalities in a Bioeconomy (Comida por Justiça: Poder, Política e Desigualdades Alimentares em uma Bioeconomia, em tradução livre), da Universidade Livre de Berlim, apontou que o ovo foi o alimento que teve maior aumento no consumo dos brasileiros durante a pandemia: 18,8%.

Na avaliação dos pesquisadores, esse crescimento no consumo de ovos aponta para uma clara substituição no consumo de carne, que teve redução de 44%. O número de pessoas que disse ter comido mais carne, entre novembro e dezembro de 2020, foi de apenas 3,2%.

Fonte: BB NEWS

 

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